23 Novembro 2014

Cidade Dores do Turvo na Zona da Mata alcançou o primeiro lugar do país nas olimpíadas de matemática

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Com sorriso constante no rosto, Flávio Augusto de Carvalho, 13, diverte os colegas brincando com seu próprio tamanho. Apesar de pequenino, o menino não passa despercebido no município de Dores do Turvo, na Zona da Mata, onde mora. Com 4.516 habitantes e a 323 quilômetros de Belo Horizonte, Dores é uma dessas cidades simpáticas, com as tradicionais pracinha e igreja, e moradores que se conhecem e recebem os turistas com cafezinho e queijo. Essa simplicidade, no entanto, esconde vários campeões. Carvalho é um deles.

 

O município é famoso por seus pequenos gênios da matemática. Neste ano, Dores do Turvo foi reconhecida pela 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) como a líder em todas as edições da competição, que começou em 2005. Os destaques estudam na única escola da cidade que tem do sexto ano até o ensino médio – a Escola Estadual Terezinha Pereira, com apenas 570 alunos. Desses, 36 passaram para a segunda etapa da competição, e 33 foram premiados: 19 com medalhas de ouro, prata e bronze, e 14 com menções honrosas.

Aluno do sétimo ano, Carvalho ganhou a medalha de ouro junto com o colega de sala Felipe Souza Cruz, 13, Evandro Júnior Firmino da Silva, 14, e Dávila de Carvalho Meireles, 14, ambos do oitavo. Filhos de pais que não tiveram oportunidade de estudar, três deles moram na zona rural e se sacrificam para frequentar a escola todos os dias.

Com pai lavrador e mãe dona de casa, Carvalho é o orgulho da família e a inspiração para os dois irmãos mais novos, que também residem na zona rural. “Ele é um menino muito dedicado, e esse prêmio é resultado disso”, alegra -se a mãe, Luciana de Fátima Carvalho, 36. O garoto explica que esse é o segredo para ser um ganhador. “Tem que estudar e se dedicar”, enfatizou. Essa foi a segunda medalha do garoto, que angariou o bronze no ano passado.

Assim como ele, Dávila – a única menina entre os vitoriosos – mora na zona rural e tem pai lavrador e mãe dona de casa. Eles e o irmão mais velho também não estudaram, já a menina é medalhista de ouro pelo segundo ano consecutivo. “Eu achei que não tinha ido bem, porque a prova estava muito difícil. Quando descobri que ganhei, foi uma surpresa”, relevou. Em 2012, ela ficou em primeiro lugar entre os competidores de Minas Gerais.

Perto da residência dela, em uma casa simples, que a mãe sustenta sozinha trabalhando em uma fábrica de laticínios, mora o colega Silva. “Ele não larga dos livros e ganhou o segundo ouro”, orgulha-se Nayara Franciele da Silva, uma das três irmãs do adolescente.

Estímulo. Uma equação que envolve a luta dos alunos e de professores e a inspiração dos medalhistas é o que resulta na escola campeã, analisa a diretora, Ângela Pereira Campos. “O prêmio de um desperta o interesse do outro”, explicou.

Esse foi o caso de Cruz, que ganhou a medalha pela primeira vez nesse ano. Ele vem de um família de campeões, já que o irmão, Thiago de Souza, 14, ganhou bronze, também este ano. “Um ajudou o outro”, disse Cruz. “Nós nos dedicamos muito, e em 2014 queremos dois ouros”, almeja Souza.


Perfil da rede de ensino na cidade

Projetos. A Escola Estadual Terezinha Pereira tem projetos extracurriculares, como aulas de informática e curso de magistério. Alunos com notas baixas ou em situação de vulnerabilidade têm aulas o dia todo.

Diferencial. A escola campeã é a única de Dores do Turvo que atende do sexto ano ao ensino médio. Outras quatro instituições municipais oferecem da educação infantil ao quinto ano. Sem faculdade na cidade, os jovens estudam em Ubá, Viçosa ou Juiz de Fora, todas na região.

Minas. Dos 50 municípios com resultado positivo na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, 34 são de Minas. Entre os dez primeiros colocados, oito são do Estado.

Ler 786 vezes Última modificação em Domingo, 15 Dezembro 2013 15:56

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